A instabilidade política e os negócios

A despeito da crise política e econômica, não houve por esses tempos, em nosso segmento, retração ou diminuição do volume de ocupação em motéis. Já na hotelaria, onde boa parte das hospedagens tem como finalidade as atividades profissionais e não de lazer, o setor enfrenta crise acentuada. Com relação à instabilidade e ao desemprego em números exorbitantes, o que percebemos é que não houve redução significativa no faturamento, contudo, considerável aumento de despesas que não podemos repassar aos preços. Logo, a margem de lucro é menor que a de anos anteriores. A crise política está longe de ter um fim; notamos forte instabilidade, mas o país vem se fortalecendo, só necessitando que o poder público atrapalhe menos os negócios. As instituições se mostram fortes, o poder judiciário impõe condenações penais antes nunca experimentadas e a medida econômica mais urgente: a emenda à Constituição (PEC), promulgada pelo Congresso Nacional, estabelece um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Agora deu-se a aprovação da reforma trabalhista que, se não resolve as questões fundamentais, ao menos traz alguma flexibilidade ao ordenamento jurídico e à relação com os empregados e sindicatos.

A reforma trabalhista é mero efeito psicológico em nosso meio. Praticamente tudo o que se colocou como novidade já existia, mas com disposições legais um pouco diferentes. Nada há de muito novo, a não ser a oficialização do sistema 12 por 36, os contratos de experiência com prazos maiores e as oito horas diárias, que deixam de ser o limite máximo de jornada. Observem que é possível fazer alterações para que recepcionistas tenham duas folgas semanais, se o moteleiro conseguir recompor a escala com turnos de 10 horas em alguns dias. Vai levar algum tempo para que empresários, contabilistas e advogados entendam as possibilidades que se abrem com as reformas. Agora aquele empregado que insiste em ser demitido pode negociar sua rescisão com menores prejuízos de parte a parte, por exemplo.

Voltando à economia, observe que a deflação verificada em junho é sintomática: Tem seu lado bom, afastando o fantasma da inflação, e seu lado cruel, mostrando que os preços foram forçados para baixo para evitar quebras e crise de consumo. O que esperar para os próximos dezoito meses? Mais instabilidade, ano de eleição, forças terríveis em um campo de batalha sem ideologia, só interesses pessoais e financeiros. Mas o Brasil é tão forte, rico e poderoso que surgirá uma economia fortalecida, uma consciência política renovada, menor tolerância para com os desmandos do governo e o mercado retomando seu curso com fortes indícios de prosperidade. Estabilidade quem sabe possamos alcançar, o que já é bastante, mas, crescimento econômico vai levar mais tempo. Nada disso deve nos fazer perder a esperança. Dias melhores virão e já ultrapassamos os piores.

José Antônio Tavares
Advogado da AB Motéis
Tel.: 11 96364-4577
Site: www.antoniotavares.com.br

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