A “rádio-peão” está no ar!

Um burburinho se espalha pelo motel, mas ninguém sabe quem começou. É a “rádio-peão” trazendo as notícias mais quentes do ambiente do motel.

Na “rádio-peão”, locutores e ouvintes não precisam de equipamentos de som ou alto-falantes. É uma sigilosa organização. A transmissão de dados é feita no boca-a-boca, nos gestos, num simples olhar.

Mas a verdade é que o peão está só no nome. De peão não tem nada. Você pode perceber que o “locutor” é uma pessoa que tem liderança, é carismática, é um foco de atenção dentro da empresa

Se ela trafega com facilidade no ambiente da diretoria, então nem se fala. A radio-peão não se restringe aos funcionários do 2º escalão. Acontece em qualquer nível, mas quanto mais baixo, maior é a chance de isso existir.

Muitas vezes a rádio-peão é mais rápida e eficiente do que os comunicados oficiais sobre demissões ou contratações. Foi o caso, semanas atrás, de um motel que decidiu desligar a recepcionista. E, antes de comunicar a decisão a ela, teve início o processo de contratação da pessoa que ficaria em seu lugar. Tudo restrito ao nível da Administração, até que a moça da cozinha, ao servir um cafezinho para os proprietários, escutou meio sem querer o assunto e não é preciso dizer que a decisão foi comunicada à recepcionista antes da hora, e se deu inicio aos boatos. Ela estava sendo dispensada porque brigou com a cozinheira e o seu caixa estava com diferença diariamente. Criou-se a maior confusão, a recepcionista ficou com muita raiva e após o encerramento do seu contrato de trabalho, abriu um processo trabalhista contra o motel.

A fofoca muitas vezes surge de uma palavra mal colocada, uma conversa ouvida pela metade ou até mesmo de uma intriga.

A rádio-peão funciona no refeitório, no vestiário, na recepção, na cozinha e também após o expediente, onde os funcionários se encontram na condução de ida e volta ao trabalho.

As piores frases para os fofoqueiros são: “Esta é velha! Vamos mudar de assunto? Novamente!”, “Vai começar tudo de novo?”. Se você vira alvo de fofoca, o melhor é ignorar o fato. A força da fofoca está, principalmente, no esforço de tentar anulá-la. É como apelido. Se você se importar ele pega.

Se você começa conversas com “ouvi dizer…”, “alguém me disse…”, “me falaram…”, desconfie. Às vezes é você mesmo que está virando o fofoqueiro da empresa. Fofoca é coisa de ser humano pobre de espírito, que não tem nada para falar de si.

Agora, cuidado. Muitas vezes ela é só um meio de propagação de fofoca. A rádio-peão pode gerar prejuízos, porque ela chamam mais atenção que o próprio trabalho”.

O Gerente ou Encarregado do Motel precisa estar atento às notícias veiculadas pela rádio-peão. Muitas vezes ele precisa checar se a informação divulgada é verdadeira ou não. Não leve adiante comentários sobre o que você não sabe direito ou apenas ouviu dizer. O mal que a rádio-peão faz é muito grande.

Veja esse caso, uma recepcionista mal intencionada, “planta” uma noticia, dizendo que outra recepcionista disse que um gerente era arrogante e tinha cortado a sua folga do domingo. Esse comentário deixou o gerente muito irritado, que foi tirar satisfação, chamando a recepcionista de fofoqueira e que a puniria com uma advertência por indisciplina.

Já observei pessoas com crises profundas, estresse e sintomas péssimos de saúde por ouvirem notícias que não eram verdadeiras. Com intenção ou não, a maior parte dessas notícias podem causar transtornos no ambiente de trabalho e na vida do funcionário. Falhas na comunicação provocam conflitos e improdutividade e espalham ressentimentos.

Quando a comunicação entre todos os funcionários na empresa, especialmente na Direção, for clara, definida, sem segredos, a rádio-peão será um termômetro que não sinaliza “febre”, mas temperatura ambiente, normal e equilibrada.

Caso se depare com os famosos fofoqueiros é só não passar a informação para frente. Apenas responda de forma monossilábica “É”, “Não”, “Sim”.

Lembre-se de puxar a descarga quando o “leva-e-trás” virar as costas, porque reproduzir a fofoca pode ser perigoso e destrutivo. Nunca acrescente dados à fofoca, se não aguentar, pese bem suas palavras sabendo que logo estarão na “rádio-peão” com pelo menos duas vezes mais purpurina.

A maioria das empresas costuma centrar a comunicação escrita, com circulares, boletins, memorandos, relatórios, ordens de serviço e manuais de procedimentos. Embora seja um procedimento formal, consegue de maneira estruturada promover a reflexão e motivação.

Sabemos que o dirigente não tem tempo disponível para uma proximidade mais assídua com o corpo funcional da empresa, mas com certeza, com atitudes e comportamentos de receptividade e diálogo conseguirá suprir essa distância. Passeios informais pelo motel e conversas com colaboradores, dos mais diversos níveis, favorecerão a construção de um ambiente de comunicação e diálogo com transparência com menos chances de ser afetado pelos males da fofoca.

No mais, bom trabalho!

Antonio Carlos Morilha é professor pós-graduado em hotelaria pelo Senac, diretor de treinamento e reciclagem profissional pela Apam e presta consultoria para motéis.
Tel.: (11) 9552-2710
e-mail: cmorilha@uol.com.br

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