Em bons lençóis

Para os clientes de motéis, a limpeza do enxoval é um dos motivos para que escolham seu motel de confiança. Então o que os moteleiros devem fazer para garantir que esses consumidores voltem sempre?

Lavanderia do Eros Hotel Prime, em Recife (PE)

 

Por Daniele Amorim

 

Alexandre Melo, diretor comercial da Set Sistemas

Em setembro de 2017, o Guia de Motéis realizou uma pesquisa junto com a Hello Research sobre os hábitos de lazer de seus usuários. Para os consumidores considerados heavy users (que vão ao

motel pelo menos uma vez ao mês) e os ocasionais (que frequentam o local até quatro vezes ao ano), a regra é clara: para 96% deles, a “infraestrutura” – diretamente ligada a aspectos de limpeza e higiene – é um dos pontos mais prezados para a escolha do motel.

Com esse tipo de demanda e as fortes exigências do cliente, a qualidade da lavanderia é um assunto de preocupação para o dono do motel. “O setor está cada vez mais antenado e, consequentemente, se profissionalizando”, explica o diretor comercial da Set Sistemas, Alexandre Melo. A empresa trabalha com a comercialização de produtos e maquinários para lavanderia há 25 anos. Na área moteleira, são 200 clientes nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “Acredito que finalmente estamos saindo do amadorismo da lavanderia”, continua.

Carlos Melo e a equipe no Eros Hotel Prime

O Eros Hotel Prime é cliente desse fornecedor. Seu dono, Carlos Melo, está há 33 anos no ramo moteleiro e é proprietário de outros cinco motéis em Pernambuco. Para comportar toda a limpeza do enxoval, Melo tem duas lavanderias próprias: uma no Eros Hotel Prime e outra no Nexos Hotel. “Durante o primeiro ano do negócio, decidi optar pela lavanderia terceirizada para não ter ‘dor de cabeça’ com a limpeza do enxoval, no entanto, mudei de ideia ao notar que a qualidade dos enxovais estava decaindo”, relembra.

As boas práticas da lavanderia de motel foram o tema discutido na edição 27 do MotelCast. E, segundo o papo entre moteleiros e fornecedores, a maioria dos empresários do setor opta por manter uma lavanderia própria para garantir maior controle da lavagem, assegurar que o tecido não seja desgastado durante o processo e não depender do tempo de entrega da roupa. No entanto, mesmo sendo benéfica para otimizar o processo, a tarefa não é tão simples. “É necessário um acompanhamento minucioso para ter controle da lavagem”, explicou o sócio do Lush Motel, Leonardo Dib, em sua palestra sobre conceito da gestão moteleira no Guia de Motéis Talks da última edição da Equipotel. Na ocasião, ele citou alguns índices a serem observados: quantos quilos estão sendo lavados diariamente, quanto o moteleiro gasta com enxoval novo e quantas vezes o material foi relavado por suíte.

 

Lavanderia própria ou terceirizada?

Antonio Carlos Morilha, especialista em gestão de motel e diretor da ABMotéis

O especialista em gestão de motel e diretor da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis), Antonio Carlos Morilha, explica que os moteleiros costumavam relutar em lavar seus enxovais dentro do mot

el. “Houve um tempo em que os empresários optavam por terceirizar a lavanderia para aproveitar o espaço e construírem mais suítes.” O resultado não foi satisfatório. De acordo com Morilha, o custo de lavar o enxoval em uma lavanderia terceirizada é 30% mais alto do que otimizando o processo dentro do próprio motel.

A situação relatada por Morilha foi vivida pelo sócio dos Motéis Lumini, Colonial Palace e Izzi Motel, Adriano Lopes. Ele sempre optou por terceirizar a lavagem do enxoval de seus três motéis. “Quando terceirizo a lavagem, me eximo da responsabilidade de cuidar desse processo dentro do motel, porém, a conta é mais cara”, explica. Para economizar na higienização do enxoval, ele preferiu investir em maquinário sofisticado, e, segundo seu cronograma, o valor investido para a construção das três lavanderias, uma em cada motel, voltará ao seu caixa em 30 meses.

Felipe Zucon, gerente proprietário do Motel Vyss, em São Bernardo do Campo (SP)

Já o gerente proprietário do Motel Vyss, em São Bernardo do Campo (SP), Felipe Zucon, fez o caminho contrário. “Na época da inauguração do motel, há 30 anos, foi destinado um espaço para implementarmos uma lavanderia”, relembra. No entanto, como não havia caixa para o investimento no maquinário e em produtos químicos, sua família optou por contratar  os serviços de uma lavanderia terceirizada.

Desde então, o motel Vyss é cliente da Lavanderia São Bernardo. “Não tenho a preocupação de destinar funcionários para a lavanderia ou maquinário.” O gerente do Vyss afirma que nunca teve problema com a qualidade do material recebido, por isso acha vantajoso manter a parceria.

 

 

 

E como manter a qualidade em uma lavanderia própria?

Quando a lavanderia está dentro do motel, é responsabilidade do moteleiro – ou do gestor da área – garantir a mesma qualidade da lavagem do enxoval. Para Morilha, uma estratégia para boa higienização é o investimento em equipamentos modernos e automatizados: “Se o moteleiro continuar lavando sua roupa em máquinas antigas e mantendo um consumo alto de gás, ele vai estragar seu enxoval e ainda gastar mais com o tecido, pois o material será desgastado mais rápido”.

 

Joab de Lima, representante comercial da Girbau

O representante comercial da Girbau, de soluções para lavanderia, Joab de Lima, é mais enfático: “Nunca faça nada sozinho”. “Procure alguém do mercado para te explicar como otimizar a sua lavanderia.” O posicionamento dele também é compartilhado com o coordenador de lavanderia da CHT, Ademir Lopes. A empresa é especialista na fabricação de produtos químicos para a higienização de material têxtil.  Ele acredita que a melhor forma de contratar um fornecedor é perguntar sobre seu trabalho para outros moteleiros, e também – no caso da compra de materiais químicos – pesquisar seu registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Marcos Queiroz, proprietário de uma rede de motéis no Recife (PE)

Segundo o proprietário de uma rede de motéis no Recife (PE), Marcos Queiroz, o moteleiro deve prestar atenção a outra questão da lavagem: a água. “Ela é responsável por 90% do resultado.” O manuseio pós-lavanderia também deve ser considerado. A fibra do tecido deve descansar, pelo menos, 24 horas depois de sua lavagem, e de acordo com os moteleiros consultados pela reportagem, a recomendação é que o material deva ser dividido em três grupos: para uso, para lavagem e para reserva. Assim, o material que acabou de sair da lavanderia não irá direto para o quarto.

A quantidade e o manuseamento do maquinário e do produto químico também impactam o resultado da lavagem e a qualidade do tecido. Para garantir que o funcionário da lavanderia seja bem instruído, alguns fornecedores oferecem o serviço de treinamento e acompanhamento dos motéis. A Marbella, distribuidora de produtos CHT Brasil no estado de São Paulo, trabalha com esse sistema. “Não adianta usar um bom produto e fazer sua medição manualmente – para isso, oferecemos um equipamento que faz a automatização desse serviço e treinamos a equipe da lavanderia para utilizá-lo corretamente”, explica o representante comercial da Marbella, Marcio Kitazuka.

 

 

Em ritmo contínuo de melhorias

Com os clientes mais atentos à limpeza e à qualidade do enxoval na hora de escolher o motel, os moteleiros aumentaram sua preocupação com a limpeza. É o que observa Kitazuka: “Desde dezembro, estou atendendo frequentemente as lavanderias de motéis”. A empresa trabalha no setor moteleiro desde 2009.

 

Marcos Queiroz explica a procura por fornecedores: “A limpeza e a lavanderia do motel são nosso cartão de visita”. A afirmação é compartilhada por Carlos Melo, do Eros Hotel Prime: “Um motel que não sabe cuidar de seu enxoval pode fechar as portas”.

 

“Estamos vivendo outro momento na motelaria. Até o final de 2018, foram poucos moteleiros que me procuraram para fazer consultoria. Mas, no início de 2019, estou fazendo consultorias de duas a três vezes por semana, e a lavanderia faz parte do processo”, finaliza o especialista em gestão moteleira Antonio Morilha.

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