Expectativas otimistas para 2019

Moteleiros relatam suas expectativas para o setor neste ano. Reportagem traz ainda os dados do Índice Nacional de Preços da Motelaria (INPM) 2018, pesquisa que mostra a média das suítes mais baratas e mais caras das principais capitais do País

Por Madson de Moraes

2019 já chegou com a cara e jeitão de ser bem diferente de 2018. A expectativa positiva de mudanças vem acompanhada da chegada de um novo presidente da República, que promete as desejadas reformas econômicas para tirar o Brasil do atraso e alavancar o crescimento econômico. Mas dá para o setor moteleiro ser otimista com tanta coisa para arrumar no País? Dez moteleiros deram seus pitacos sobre o que esperar para o setor neste ano. Aliás, de acordo com um deles, 2019 será o ano da motelaria.

 

A reportagem traz ainda os dados de 2018 do Índice Nacional de Preços da Motelaria (INPM), pesquisa de abrangência nacional realizada anualmente pelo Guia de Motéis e que mostra a média das suítes mais baratas e mais caras das principais capitais do País, além da variação de preços durante o ano. Mais de mil motéis, de 12 capitais, cadastrados no sistema de informações do Guia, participaram do levantamento. Divulgado desde 2015, o INPM é uma ferramenta importante aos moteleiros para avaliação da tendência de atualização de preços em suas regiões.

Ao longo de 2018, se hospedar em uma suíte de motel em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória, além do Distrito Federal, ficou em média 3,19% mais caro, segundo o INPM. Desbancando Florianópolis, capital que teve a maior variação de preços na motelaria nas pesquisas de 2016 e 2017, este ano a cidade de Vitória é que lidera entre as capitais com a maior variação de tarifas na motelaria (4,76%), seguida de Florianópolis e Distrito Federal. 

Com relação às médias de preços das suítes, em São Paulo, onde participaram 373 estabelecimentos, a média da suíte mais barata foi cotada em R$ 51,59, e a mais cara, R$ 179,94. No Rio de Janeiro, a média da suíte mais barata ficou em R$ 74,73 e, na mais cara, o valor foi cotado em R$ 268,51. As médias das suítes mais caras se concentram em Florianópolis e Rio de Janeiro, e as mais baratas, em Goiânia e Fortaleza.

Para o diretor executivo do Guia de Motéis, Roberto Discher, a pesquisa reflete a realidade do setor moteleiro, o que permite aos gerentes e proprietários de motéis acompanhar e saber se os preços que praticam atualmente estão dentro da realidade em sua região. “Com o INPM, o moteleiro consegue ver a tendência do mercado e quais valores o segmento está praticando. Os índices de preços de 2018 ficaram bem estáveis porque a economia estava bem incerta para você ser mais agressivo na política de preços. O mercado está otimista para 2019”, avalia.

INPM 2018

Confira a íntegra do Índice Nacional de Preços da Motelaria (INPM) 2018 no link abaixo:

https://bit.ly/2CZk5ju

A variação de preços nas 12 capitais que compõem o índice

1. Vitória e região

30 motéis consultados

Variação de preço: 4,76%

2. Distrito Federal e região

24 motéis consultados

Variação de preço: 4,26%

3. Florianópolis e região

87 motéis consultados

Variação de preço: 4,14%

4. Salvador

46 motéis consultados

Variação de preço: 3,71%

5. Porto Alegre

91 motéis consultados

Variação de preço: 3,53%

6. São Paulo

373 motéis consultados

Variação de preço: 3,39%

7. Recife

54 motéis consultados

Variação de preço: 3,01%

8. Goiânia e região

63 motéis consultados

Variação de preço: 2,90%

9. Fortaleza

96 motéis consultados

Variação de preço: 2,83%

10. Rio de Janeiro

134 motéis consultados

Variação de preço: 2,33% 

11. Belo Horizonte e região

119 motéis consultados

Variação de preço: 2,68%

12. Curitiba

52 motéis consultados

Variação de preço: 2,27%

IPCA*

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

3,75%

Fonte: Portal de Finanças

IGPM*

Índice Geral de Preços do Mercado

7,55%

Fonte: Portal Brasil

*Acúmulo nos últimos 12 meses de 2018

As capitais com as suítes mais caras e mais baratas

  • Floripa tem a média de valor da suíte mais cara do País: R$ 307,64, seguida de Goiânia e região (R$ 287,53) e Rio de Janeiro (R$ 268,51). 
  • Curiosamente, Goiânia e região também apresenta a média mais barata das suítes: R$ 39,98, seguido pelas cidades de Fortaleza (R$ 42,39) e Recife (R$ 47,46).
  • No Distrito Federal, a média das suítes varia de R$ 52,01 a R$ 259,89.
  • No estado do Rio de Janeiro, a variação dos preços das suítes foi de 2,33%, enquanto que, no estado de São Paulo, a variação foi de 3,39%.
  • A média de suíte mais cara de São Paulo e região metropolitana está na zona oeste (R$ 236,64) e a média mais barata está na zona leste (R$ 41,06).
  • Já no Rio de Janeiro e região, a média de suíte mais cara foi cotada na zona sul da capital (R$ 447,42), e a mais barata, na Baixada Fluminense (R$ 59,53).
  • Dos 1.169 motéis monitorados, as cidades com mais motéis participantes foram São Paulo e Rio de Janeiro, com 373 e 134, respectivamente.

Depoimentos sobre as perspectivas para 2019

“A expectativa para este ano é de uma melhora significativa, confirmando a tendência dos últimos meses. Será também um ano importante para colocarmos à prova, em um quadro favorável, tudo o que aprendemos durante essa fase de recessão”,

Eusébio Ribeirinha, diretor do Lorens Motéis

“Minha perspectiva é boa, considerando os últimos anos. Acredito que não teremos um aumento significativo no faturamento neste primeiro ano, mas a queda e recessão dos últimos anos devem cessar. Será um ano de mais investimentos, pela expectativa de melhora na economia, para um preparo de crescimento a partir de 2020, caso as reformas mais urgentes (Previdência) sejam aprovadas. De qualquer maneira, será um ano positivo devido à provável queda do dólar e produtos atrelados a ele, e ainda possíveis quedas de luz, gás e insumos que consomem uma bela parte do lucro dos motéis”,

Ricardo Rafael Monteiro, Apple Motel de São Paulo

“Com toda a certeza e convicção, vai ser melhor que 2018 – vai ser o Ano dos Moteleiros e, consequentemente, do Guia de Motéis”,

Jesuíno Alves, proprietário do Motel Shelton

“Estou otimista! Acredito no início de uma recuperação econômica em 2019 e acredito mais ainda no potencial do nosso segmento. Por isso, vamos investir na expansão do Lush e, no paralelo, estamos conversando com alguns novos parceiros fora de São Paulo para a LHG, que é a nossa empresa de administração terceirizada”,

Felipe Martinez, Lush Motel

“Em 2019, acredito que teremos uma melhora da economia – em muitos setores, esse otimismo geral da população em termos da política brasileira já começou a surtir efeito. Penso que, se tal otimismo continuar, mais cedo ou mais tarde, a motelaria também receberá resultados desse momento positivo. Espero que, na prática, não seja apenas uma nova política, mas que a nova política crie ações de melhoria da economia para que não sejamos tão dependentes da política. Eu aposto na melhora de cenário e tomarei iniciativas de crescimento para os próximos anos”,

Luís Eduardo Stedile, diretor do Luv Motel

“Minha expectativa para 2019 é de que, com esse novo governo, pouco a pouco o mercado retome o crescimento, e assim o movimento dos motéis volte a subir. Claro que será lentamente, mas acredito que, saindo a reforma da Previdência, teremos o pontapé inicial. Vale lembrar também que não podemos deixar de investir no setor com reformas e novidades”,

José Pires, proprietário do Motel Riviera (São Paulo)

“Em 2019, finalmente a demanda reprimida terá vazão, e quem não ficou parado nessa longa crise evidentemente larga na frente. Após anos sofrendo pressão dos custos e movimento baixo, nosso setor dará um salto neste ano. Naturalmente, o ritmo dos investimentos diminuiu, mas, quando se fala em motelaria, zerá-los é um atalho para uma morte precoce. Depois de algumas décadas, os empresários entenderam isso e estamos prontos para viver nosso melhor momento”,

Humberto Sammarco, sócio-proprietário do Point Motel (São Paulo)

“A expectativa é muito boa. O projeto de reforma de algumas suites está em fase de finalização, devendo começar a obra em fevereiro. Será inaugurado mais um motel, acredito que no final do ano, investimentos em marketing estão encaminhados, enfim, expectativas de quebrar muitos paradigmas de uma empresa familiar e profissionalizar mais as ações”,

Daniel Lima Dantas, sócio-proprietário do Motel Cajueiro e Motel Matury (Bahia)

“Estamos com uma excelente expectativa para 2019. O último semestre de 2018 foi acima do esperado e, com isso, a previsão é de que 2019 seja um ano de retomada em nosso setor. Estamos com aproximadamente R$ 750 mil destinados a investimentos em toda nossa rede moteleira, graças a esse novo ciclo que estamos iniciando. Tenho certeza de que, assim como nós, a maioria dos empresários está com o mesmo sentimento”,

Petrônio Machado II, sócio-proprietário do Eros Motel (Manaus)

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