Manual de marca, uma ferramenta de gestão

Ele permite economizar tempo e dinheiro e melhora a comunicação de um motel

Talvez um dos ativos mais valiosos de um dono de motel seja o seu tempo. Com uma gestão complexa, os moteleiros se veem obrigados todos os dias a se dividir na solução de problemas que vão da infraestrutura ao RH; da área de alimentação à gestão de estoque; do financeiro à segurança. Precisam gerenciar equipes, instalações, marketing, obras e equipamentos em todas as suas frentes: paisagismo, suítes, lavanderia, restaurante, comunicação, etc.

Nesse contexto, temos que buscar ferramentas que agilizem o tempo e a dinâmica de gestão. Não vou falar em delegar responsabilidades, porque já percebi que o perfil centralizador do moteleiro tradicional se arrepia com essa palavra. Então, em seu lugar, tentarei falar de outro assunto, talvez mais palatável para o segmento: a normatização.

O desenvolvimento de manuais e a normatização de procedimentos pode ajudar não apenas na manutenção da qualidade operacional, mas também na economia de tempo do gestor. Na recepção, a padronização, ou o manual do atendimento, permite que novos funcionários rapidamente assumam o seu papel como esperado. Na lavanderia, o uso de painéis de procedimentos e operação dos equipamentos cumpre bem esse papel, instruindo sobre normas, incluindo as de segurança. Nas cozinhas, o uso de fichas técnicas ajudam na padronização e uniformidade dos pratos, tanto na apresentação quanto nas quantidades de cada item, o que mantém uma imagem de qualidade frente aos clientes e o controle mais efetivos de estoques e compras. São muitas as áreas em que a normatização operacional pode ajudar na economia de tempo e dinheiro. Mas e na comunicação?

Também temos manuais. São os chamados manuais de marca, e sua profundidade e detalhamento podem variar. Depende apenas do que o gestor procura ou precisa. Os mais simples, os guias de marca, tratam dos aspectos básicos da identidade. Padronizam usualmente o uso do seu símbolo ou o logotipo quanto a tamanhos, assinaturas, usos corretos e incorretos. Normatizam também os pantones das cores e sua conversão para uso em luminosos, impressos e internet, de forma que possam manter uma tonalidade próxima. Mostram como usar a marca em uma só cor ou em preto e branco, entre outros detalhes que podem variar em cada marca e ajudar na confecção de roupas de cama, uniformes, cardápios e na aplicação da sua marca nos produtos de amenities.

Os intermediários, os manuais de identidade visual, não apenas detalham o uso da marca, como também incluem exemplos de uso e aplicações em diversos materiais e usos comuns. Manuais de identidade visual incluem também a especificação de padrões de fontes para textos corridos e títulos; dessa forma, a padronização do uso tanto em cardápios, anúncios e, em alguns casos, sites pode ser uniforme. Contém também cores de apoio, adicionais as da marca, para uso da identidade na comunicação de forma que ela não fique muito monótona ao se restringir a apenas uma ou duas cores. Por fim, pode conter padrões gráficos, elementos de texturas, formas ou elementos visuais de apoio, usados para enriquecer a comunicação. Nesses casos, o objetivo é facilitar a vida do dono de motel, evitando que ele tenha que avaliar, em todos os projetos que lhe são apresentados, se as cores, fontes e texturas estão ou não do seu agrado ou alinhadas ao perfil do seu motel.

Os avançados, também chamados de brandbooks, contemplam até normas de redação de textos, bancos de imagem e a padronização de estilo fotográfico, bem como normas e orientações sobre o posicionamento da marca. Podem conter também guias de estilo visual e de linguagem de marca para uso em comunicação, incluindo padrões de anúncios, famílias de ícones, pictogramas para sinalização, entre outros. Mas são mais indicados apenas para empresas que fazem comunicação extensivamente.

O uso de qualquer manual irá sempre depender do perfil do motel e de suas verdadeiras necessidades de comunicação. Essas ferramentas existem para minimizar (mas não excluir) o trabalho dos gestores quanto ao uso correto de sua marca e da comunicação, ajudando a padronizá-las.

Vale lembrar que, ainda assim, o manual só será eficaz nas mãos de bons profissionais. Mas, ao possuir e passar o manual aos profissionais que trabalharão a comunicação do seu motel, eles tomarão menos o seu tempo, diminuindo os erros e as reprovações. E você, o cliente moteleiro, tem nas mãos uma carta que lhe permite exigir mais qualidade na produção de comunicação. Afinal, o designer ou publicitário, tendo recebido o manual, não terá mais, frente a um erro de uso da marca, a tradicional desculpa: “eu não sabia…”. O resultado não é apenas a importante economia de tempo, mas também de dores de cabeça e aborrecimentos.

Guilherme Sebastiany é diretor de projeto da Sebastiany Branding, empresa especializada em estratégia e design de marcas.
Tel.: (11) 3926-3937
guilherme@sebastiany.com.br
www.sebastiany.com.br

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