Motéis desconectados – Parte 2

Ignorar as redes sociais é um grande erro em um segmento que continuamente precisa atrair novos e jovens clientes

Fiz um mapeamento das redes sociais, comunidades e portais disponíveis para trabalhar o marketing on-line da minha empresa na internet. Mais do que simplesmente ter um site, blog, Twitter, Orkut, Facebook, e um Flickr, o desafio é atualizar tudo isso com frequência regular e conteúdo pertinente, o que demanda empenho e, principalmente, planejamento.

Durante esse processo me perguntei: e os motéis? O quanto será que estão (ou não) atualizados com as novas oportunidades de marketing proporcionadas pelas redes de sociais? Comecei assim a observar a presença dos motéis em sites como Orkut, Facebook e Twitter e, para minha surpresa, a palavra que melhor define a presença do segmento moteleiro nesse meio infelizmente é ausência.

Até o fechamento desse artigo, em outubro deste ano, consegui detectar que apenas quatro motéis têm comunidade ou perfil no Facebook. Já no Orkut, os números foram maiores, quase 150. Isso se deve não apenas por ser uma das mais antigas redes sociais e ser muito popular entre os brasileiros, mas principalmente porque qualquer usuário pode criar uma comunidade sobre qualquer tema, incluindo sobre um motel que frequenta, que gosta ou até mesmo que odeia. No Orkut, não há como impedir que um usuário insatisfeito crie a comunidade: “Eu odeio o motel X”. Por isso mesmo, a maioria dos motéis não é dona da sua própria comunidade e não consegue, portanto, moderar o que é escrito lá.

Isso, entretanto, não faz muita diferença, pois infelizmente a maioria dos motéis não acompanha o que é escrito, não lê, comenta e nem responde as eventuais dúvidas e reclamações dos seus clientes. Mas acredite, elas estão lá.

Falta entender que essa democratização da comunicação é inevitável. O consumidor agora tem muito mais canais para propagar a sua má experiência ou má impressão sobre qualquer empresa e produto. Falta também perceber que isso traz um retorno mais rápido e direto do que não está funcionando no motel. Assim, é possível ter a oportunidade de corrigir os problemas antes que eles se repitam ou se agravem. Pelo monitoramento das redes e do que é falado sobre o seu motel nas comunidades e blogs, você tem a rara oportunidade de abordar um cliente insatisfeito e propor uma reparação ou compensação pelo transtorno. E consegue, inclusive, detectar quais são os problemas pontuais e quais os recorrentes.

Continuando com os recursos disponíveis, não encontrei nenhum motel com perfil no Formspring. Você conhece o Formspring? É simplesmente um FAQ na forma de rede social que recebe no seu perfil as perguntas dos visitantes (anônimas ou identificadas). As repostas no Formspring podem até ser automaticamente republicadas no seu Blog, Facebook e Twitter. É uma ferramenta que somada ao sistema de microblog do Twitter pode ajudar a gerar conteúdo e interação com as dúvidas do público em geral.

No Twitter, encontrei apenas 47 motéis brasileiros com perfis, sendo que a média é de 100 seguidores e 20 twitts por motel. Alguns poucos chegam a 500 seguidores, um número ainda baixo, mas vale lembrar que os seus seguidores podem “retwittar” as suas mensagens, ou seja, repeti-las em seu próprio perfil para os outros usuários e assim sucessivamente. O destaque nesta categoria vai para o motel Monte Carlo, de Londrina, com mais de 750 seguidores e perfil ativo em muitas redes sociais.

Ignorar as redes sociais já é um grande erro em um segmento que continuamente precisa atrair novos e jovens clientes. No entanto, ignorar o uso eficiente da internet nos próprios sites é um erro ainda maior e muito comum. Mas, como sempre, este cenário pobre traz também oportunidades, pelo menos para aqueles que têm visão e que estão interessados em destacar os seus motéis.

Continuo com esse tema na próxima edição. Até lá!

Guilherme Sebastiany é diretor de projeto da Sebastiany Branding, empresa especializada em estratégia e design de marcas.
Tel.: (11) 3926-3937
guilherme@sebastiany.com.br
www.sebastiany.com.br

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