O mercado dos motéis no Brasil: oportunidade ou decadência?

Diversas vezes sou questionado sobre o panorama do mercado de motéis no país. É um bom negócio? Os motéis estão falindo? É um negócio decadente? Será que nossos filhos frequentarão os motéis no futuro?

A última edição da Moteleiro nos presenteou com uma bela matéria sobre a história do nosso setor no Brasil. Nesses 50 anos, muita coisa mudou em nosso segmento, como também em nosso país.

Entre 1980 e 1994 foi a época do “boom” para o segmento. O Brasil passava pelo “milagre econômico” e os motéis tinham muito movimento. Era um serviço novo, diferente. As pessoas queriam experimentar esse novo local. Os aspectos culturais da época auxiliaram na disseminação dos motéis pelo Brasil. Era a época da liberdade sexual e o fim da ditadura.

A concorrência não era grande. Muitos empreendimentos abriram, ampliaram. Com o crescimento, a concorrência estava instalada. A partir de 1994, o ciclo de alta expressiva da demanda se encerrava. As velhas formas de administração não eram mais suficientes para o sucesso.

Como era de se esperar, muitos moteleiros não acompanharam essa evolução. A inovação virou exceção e a rentabilidade dos negócios se reduziu. Acompanhamos diversas dessas histórias pelo Brasil afora. Ainda hoje, é possível ver “antigos” motéis com o conceito “velho” funcionando.

O movimento inverso e aí sim, a nova geração de moteleiros se iniciou logo após essa época, no final dos anos 1990 e no inicio do século 21. Alguns empresários enxergavam oportunidade no ramo e investiram em novos formatos de suítes, em modelos de gestão e serviços diferenciados.

Esse movimento foi acompanhado pela mudança do público-alvo. Hoje o público que mais cresce (em nossas pesquisas), são casais na faixa de 30-45 anos, que buscam os motéis como uma alternativa de entretenimento, sair da rotina.

A busca para um lugar para “relaxar” frente à correria do dia a dia fez com que surgissem motéis em diversos países do mundo. Existe um mercado 5x maior que o brasileiro no Japão, por exemplo. Outros países, como Taiwan (China), Nova Zelândia, Portugal, Itália, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos e Alemanha, têm iniciativas com o mesmo foco em casais, tal qual nossos motéis.

Hoje o desafio do nosso mercado é captar a geração dos millennials. Temos visto bons exemplos de motéis em diversas regiões do Brasil que têm feito a lição de casa.

Fica claro que, como em qualquer negócio, para aqueles que pararam no tempo e não evoluíram, os motéis são sim um negócio em decadência. Para os outros moteleiros que acompanham as tendências, otimizam os custos e mantêm uma boa estrutura, o segmento se mantém como um negócio atraente.

Vinícius Roveda
Diretor geral da Zeax Motéis, empresa especializada em administração, consultoria e franquia de motéis
Atua com as marcas Zaya e Drops Motéis
Contatos: 11 4506-3179 / www.zeaxmoteis.com.br / vinicius@zeaxmoteis.com.br
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