O motel do Oceano Azul

De tempos em tempos surge um motel diferente no Brasil. Diferente a ponto de não concorrer com os outros e pouco se abalar com crises econômicas como essa, que estamos vivendo. Esse fenômeno foi batizado de A estratégia do Oceano Azul pelos professores de estratégia Renée Mauborgne e W. Chan Kim no livro de mesmo nome, que fala sobre empresas que se diferenciam tanto que passam a navegar em mares calmos e tranquilos, enquanto a concorrência sofre num mar ensanguentado. Esse é o caso do Lush.

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Propriedade de um grupo carioca, o tradicional motel Côncavo e Convexo agonizou por anos no coração de São Paulo e tinha somente um destino: fechar ou ser vendido. Isso até dois jovens, representantes da nova geração da sociedade, aceitarem o desafio. Felipe Martinez e Leonardo Dib (filho e genro dos proprietários, respectivamente), que nunca tinham se visto, largaram a boa vida da zona sul do Rio de Janeiro em troca do trabalho duro de assumir o motel.

Sem nenhuma experiência anterior no ramo e com grande bagagem por terem passado por grandes empresas, os dois arregaçaram as mangas e iniciaram um verdadeiro trabalho de transformação no motel. “Não queríamos apenas reformar o Côncavo e Convexo, isso seria fácil demais com o dinheiro que a sociedade topou investir. Nós queríamos fazer algo mais, proporcionar uma experiência totalmente diferente para um hóspede de motel” lembra Martinez.

E foi com essa grande ambição que os jovens se instalaram, literalmente, no antigo motel, morando lá nos primeiros oito meses da empreitada. “O primeiro passo foi entender o que acontecia por lá. Ficamos horrorizados com o que vimos: funcionários desmotivados, roubos, fraudes, vazamentos, curtos-circuitos, falta de processos, controles e muito mais. Até hoje ainda não entendo como o motel ainda tinha movimento.” conta Dib. Antes de investir pesado nas reformas das suítes, foi investido muito também na infraestrutura básica, que estava deplorável. E esse é o tipo de investimento mais difícil, pois o cliente não vê as melhorias.

Depois de colocar a casa, mais ou menos, em ordem, o primeiro grande passo talvez tenha sido o de buscar um arquiteto capaz de materializar tudo o que eles tinham em mente. “Procuramos um profissional que nunca tivesse trabalhado no segmento para, justamente, fazer algo inovador”, explica Martinez.

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A transição

Aos poucos, as suítes foram sendo reformadas e os clientes foram percebendo a mudança. “Planejamos todo o processo de mudança com cuidado, implementando as mudanças paulatinamente. Depois de 28 suítes prontas, entramos com a nova fachada. Aí sim alteramos a marca para Lush”, lembram.

Ao todo, foram seis anos de obras e um planejamento para sempre manter o Lush como um motel de novidade e comentado pela mídia. Foi assim com os luxuosos pacotes com limousines e voos de helicóptero, cardápio assinado por vencedora do MasterChef, além de suítes com fotos de uma artista plástica.

Quer saber um pouco mais sobre o que pensam os dois jovens moteleiros que estão fazendo a diferença no cenário nacional e que recado eles deixam para os colegas de profissão? Ouça uma entrevista exclusiva que gravamos para a edição 12 do MotelCast! www.motelcast.com.br

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