Operação Corta-Gastos

O mercado moteleiro dispõe de diversos serviços e produtos para diminuir até mais da metade a conta de energia e os gastos com aquecimento de água. Pesquisamos tudo e comprovamos com moteleiros o que realmente funciona.

Será que, quando alguém vai a um motel – momento de plena descontração -, se lembra de que energia custa caro e o desperdício prejudica o meio ambiente? Claro que não. Grande parte dos hóspedes não está nem aí para o quanto o dono de um motel paga de conta no fim do mês, tenha certeza disso. E, com todo respeito aos que são dedicados, alguns funcionários também não.

Mas acalme-se. Há solução para tudo, até mesmo para controlar os esbanjadores. E olha que não estamos falando somente da preocupação com o meio ambiente. Mas, principalmente, da rentabilidade do seu negócio. Nossa intenção é dar algumas ideias para você baixar o valor da conta no fim do mês.

Por isso, a partir desta edição, você acompanhará uma série de matérias especiais que faremos sobre maneiras de economizar.

A seguir, dicas para gastar menos na conta de luz e no aquecimento de água, já que essas despesas representam uma grande parcela dos custos da operação de qualquer motel.

Energia elétrica

Conta de luz

A primeira coisa a perguntar: você sabia que as concessionárias de energia, como AES Eletropaulo, Cemig, Light e Celpe, oferecem diferentes tarifas para consumidores de médio e grande portes como os motéis? Pois há, até mesmo, empresas especializadas na realização de diagnósticos para redução de custos com energia elétrica, sem redução do consumo. A W Energy, por exemplo, realiza estudos para identificação de potencial de economia sem custos, através da cópia das últimas faturas de energia elétrica. Em 15 dias, o corpo técnico formado por engenheiros que trabalham nas concessionárias apresentam o resultado e atendem em todo o Brasil. “Não existe investimento por parte do cliente. O trabalho é pago com uma pequena parte da própria economia de energia”, afirma Mauro Gelsi dos Santos, consultor da empresa. De acordo com ele, é possível chegar a reduções de 10% a 40% no valor mensal da conta.

Por ser formado em eletrônica, Marcelo Bertoluci, gerente do Motel Capricci, de Curitiba, no Paraná, fez o estudo sozinho e conseguiu ótimos resultados. “Tenho um acompanhamento mais detalhado que a maioria dos motéis, com equipamentos e planilhas. Quando você é um consumidor grande, faz um contrato com a concessionária de energia. Existem várias opções de tarifa, é preciso escolher a melhor. Basta optar pela convencional, verde ou azul. A verde é a mais indicada para a maioria dos motéis”, afirma. No Capricci, não há brecha para o desperdício. As instalações são bem feitas e tudo o que for possível é automatizado, para evitar esquecimento e perdas. O pátio, por exemplo, acende e apaga sozinho em horários programados.

Automatização

O que o hóspede faz quando entra na suíte? Bota tudo para funcionar, quer testar, usar e experimentar os atraentes botõezinhos. Na hora de ligar, animação total. A sauna é um caso clássico. Antes de a tecnologia ajudar, ela ficava ligada horas a fio. Hoje há novidades para dar uma mãozinha aos esquecidos. A Impercap Saunas, por exemplo, é uma empresa especializada na otimização desses equipamentos, com máquinas com temporizadores de 5 a 60 min. O hóspede, ao apertar o botão, terá um tempo determinado. Caso queira mais, deve pressionar novamente, evitando o desperdício.

Outra saída inteligente contra os esbanjadores é a automação elétrica. Indicada para todos os tamanhos de motéis, ela é capaz de controlar a energia das suítes impossibilitando locações fraudulentas, além de reduzir o consumo e aumentar a vida útil dos equipamentos elétricos. “Chegamos a conseguir 30% de diminuição no consumo com essa tecnologia”, informa Rômulo Rodrigues Simões, sócio-proprietário da Microtecs Sistemas de Automação, que fornece esse tipo de tecnologia para o setor. Como exemplo de uma automação inteligente, ele informa que o lugar mais indicado seria o corredor de serviço. Com comandos diretos do software instalado no computador, é possível habilitar e desabilitar a energia dos quartos e avisar às camareiras, através de leds diferenciados por cores, o status das suítes: ocupada, desocupada, em liberação, etc. “De 8 a 12 meses, o investimento estará pago. A economia é vista mais claramente na redução da conta de energia e na segurança da não possibilidade de locações fraudulentas”, afirma Rômulo.

Direto do Recife, Adalberto Araripe Filho, proprietário do Motel Sobrado, aderiu à onda. Suas suítes ficam desligadas, mas quando o quarto é alugado, automaticamente a energia é ativada. “E, quando a conta é paga, o quarto é novamente desligado. Então, a camareira só pode ligar a lâmpada central pelo interruptor. TV e ar-condicionado não funcionam. Com isso, temos ganho de produtividade na arrumação”, diz. Ele também comenta a questão da fraude: “O funcionário só pode alugar o quarto se ligar a energia. Ou seja, sabemos de todas as vezes que a energia é ativada”. O resultado? Uma economia de até 20% na conta do Sobrado.

Em São Paulo, a conta agora também está no azul. Thiago da Cunha Gonçalves, proprietário do Motel Kiss Me adotou uma solução semelhante. Seu sistema de controle de tempo de energia na suíte depende de uma programação com vários tipos de cartões (cliente, liberação, camareira, manutenção, vistoria, gerente). Ao serem inseridos, eles determinam quanto tempo de energia e quais funções (aparelhos e tipos de luzes) devem ser acionadas. “No caso das camareiras, só as luzes brancas funcionam”, diz. A decisão de implementar o programa, chamado SCM3, aconteceu depois de, diversas vezes, a gerência do motel ter flagrado as camareiras escutando músicas ou assistindo à televisão. “Agora temos várias vantagens: não há desperdício e economizamos cerca de 30%. Além de não haver uso de equipamentos que dispersem a atenção, elas não perdem tempo para apagar luzes e desligar os aparelhos.” O Kiss Me também adotou sensores de presença em todas as suas áreas comuns: lavanderia, cozinha, dispensas, depósitos, refeitório, vestiário e garagens. “E como o sistema foi criado por dois moteleiros – eu e o Ivo do Intense – ele tem um grande diferencial, que é fazer comparativos e buscas para saber se uma suíte está com o cartão de energia de cliente, mas sem o hóspede ter sido registrado”, afirma.

Outro paulista satisfeito com a automação é Dejaci Biano, do Impulse Motel. Por lá, também está tudo ligado: sensores de presença, ativação da energia das suítes pela recepção, luzes de status nos corredores, enfim, tudo sob controle. “Controlamos o tempo de faxina, a arrumação e evitamos o uso indevido das suítes. Além de aumentar o tempo de vida útil de eletroeletrônicos, chegamos a 20% de redução no consumo”, diz.

Outra empresa que oferece essa solução para motéis é a GST Informática. “Temos um módulo de controle chamado Power Control, que oferece três grandes vantagens: é antifraude, traz até 20% de economia no consumo e controla o trabalho das camareiras para que não assistam à TV ou durmam” diz Charles Edward, diretor comercial da empresa. A instalação é simples, nos corredores de serviço, com módulos que podem ser ligados via rede wireless ou a cabo tradicional. A instalação é invertida, ou seja, se der pane nos computadores, nos módulos ou até mesmo na rede, a energia é liberada automaticamente para todos os quartos. E ninguém fica sem luz.  A implantação vai de R$ 150,00 a R$ 200,00 por suíte.

Ar condicionado Ecológico

No Sul do País, ele pode até não ser tão utilizado, mas nesse Brasil tropical, é indispensável. Tão bom para o conforto e malvado com a conta de luz, o ar- condicionado também pode ser reinventado. Veja o que oferece a Evapcooler. A empresa fabrica condicionadores de ar evaporativos, que consomem 90% menos energia elétrica, não ressecam o ar e eliminam o cheiro até de cigarro, pois a renovação do ar é constante. “Com a evaporação instantânea da água, ao passar pela celulose, ela só circula internamente. Nenhuma gota é liberada”, diz Reinaldo Marques Aguiar, engenheiro responsável e diretor da empresa. O gabinete tem garantia de 20 anos, e os demais componentes (bomba, boia e ventilador), de um ano. “O investimento inicial, em comparação a aparelhos convencionais, chega a ser o mesmo nos menores. E, nos equipamentos grandes, somos 40% mais baratos”, diz. E a energia consumida cai drasticamente. É praticamente um décimo do que consome um aparelho convencional.

O pessoal do Motel Green House, de Minas Gerais, provou e gostou. Renato e José Bitarães, os diretores, contam por quê: “As dimensões são similares a de um ar-condicionado tipo janela e o funcionamento é ecologicamente correto, pois não utiliza gás CFC nem compressores”, contam os adeptos do sistema desde 2004. Com a economia de energia, em um ano o investimento se pagou. “Além disso, já recebemos diversos elogios de clientes pela qualidade do ar no ambiente. Ele é útil inclusive em dias frios quando a umidade está baixa. Sem falar na eliminação de odores”, contam.

 Aquecimento de água

Lenha

Fabricante de caldeiras que usam lenha ou pellets (um resíduo de madeira que é prensado para ser usado como lenha), a Astrosol confirma os benefícios do sistema. “A conta é a seguinte: o gás é 40% mais econômico que a eletricidade. E a lenha é 60% mais econômica que o gás. Em muitas regiões do Brasil, a lenha é abundante, particularmente o eucalipto. Já o pellet utiliza o pó do pinho, em cápsulas”, explica Newton Ferreira, sócio-diretor da empresa. Eles são fornecidos em sacos de 30 kg e podem ser utilizados como qualquer combustível, totalmente automatizado, com controle do consumo, nas caldeiras Astrosol. Para o uso da lenha, que gera resíduo, a empresa fornece os “lavadores de fumaça”, que atendem à legislação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Vale ressaltar que existe a desvantagem no caso de lenha convencional: os cuidados com compra, manipulação, queima e armazenamento. É interessante também verificar as restrições de uso para cada município.

Marcelo Bertoluci, gerente do Motel Capricci, de Curitiba, no Paraná, afirma: “No meu bairro, nenhum fornecedor tem documentação para vender lenha. E é difícil contar com a inconstância deles”. Em comparação com outros combustíveis, como o diesel, aquecer a água custaria o dobro. E, com essa caldeira, o Capricci garante água quentinha nas suítes, para a calefação – já que, em Curitiba, o verão é curto – vapor para a sauna, aquecimento da piscina e calor para a lavanderia. A energia elétrica só serve para ligar o ar- condicionado nos poucos dias quentes, além da hidromassagem, das máquinas de lavar roupa e, é claro, para iluminar. “Se eu usasse energia elétrica para aquecer a água, certamente esse seria o meu maior consumo”, diz.

Bomba de calor

Para quem quer economizar na conta de gás, mas não quer o transtorno da lenha ou dos pellets, um equipamento obrigatório é a bomba de calor para aquecimento de água. A Fasterm, empresa do grupo Nautilus, que atua há 25 anos no aquecimento de piscinas, se especializou na solução. “Nosso modelo de negócio não é simplesmente uma venda, operamos no sucesso. Ou seja, como as reduções que alcançamos são altas, o equipamento é pago com a própria economia, e esse prazo dificilmente é superior a 12 meses”, afirma Carlos Eduardo dos Anjos, gerente comercial da empresa. Com esse sistema de bombas, a Fasterm garante uma redução de 50% nos gastos se comparada com o gás e de até 75% em relação a energia.

Ricardo Marcocci, responsável pela distribuição no Brasil dos equipamentos da Light Tech, empresa também especializada em bombas de calor, concorda: “O sistema de aquecimento de água com bombas térmicas tem se firmado como o mais econômico do mercado”. As grandes reduções previstas acontecem devido à tecnologia que aproveita o calor existente na atmosfera e o transfere para a água com um baixo custo.

Aquecedor de passagem

A Adetec oferece equipamentos para pequenas e grandes demandas de água quente ou vapor, com baixo nível de consumo. São aquecedores de acumulação ou de passagem. Eles são acionados na abertura de alguma torneira da rede hidráulica em que o aquecedor esteja conectado, promovendo água quente em poucos instantes. “Nossos equipamentos também tem a versão gás e elétrico, porém com tecnologia avançada, o que reduz quase pela metade o consumo entre os aparelhos convencionais”, diz Silvana Porto Sartori, assistente administrativa.

Energia solar

Tão famosa, mas por muito tempo vista como, literalmente, de outro planeta. Agora, a tecnologia é uma realidade e vem trazendo grandes ganhos para o setor. Carlos Melo, diretor do grupo pernambucano que comanda o Eros Hotel Recife e o Hotel Via Norte, é testemunha. Há 11 anos, seus motéis operam com luz solar e nos dias nublados, o sistema de bomba de calor dá o suporte. E seus hóspedes nunca mais sentiram aquele friozinho na espinha, pelo menos não por falta de água quente. “Economizamos 40% na soma das contas de luz e gás”, diz Carlos Melo, conhecido como Pixoto. Em cerca de 2 anos os seus investimentos nas placas solares foram pagos.

Em Minas Gerais, no Motel Stilo, a solução veio na mesma linha: uma mistura entre energia solar, caldeira e gás. “Quando inauguramos, em 2009, pensamos em inovar e na sustentabilidade”, diz Leonardo M. Martins, diretor administrativo. De lá para cá, água aquecida não falta, mas, se for com energia elétrica, nem passa pelo cano. “A nossa conta com energia elétrica dobraria se usássemos chuveiros elétricos. E o investimento em aquecimento solar e caldeira se paga em aproximadamente 4 anos. Temos o Sol como fonte de calor em mais de 70% do ano. Não podemos descartar essa energia que a natureza nos fornece de graça”, diz.

Com esse levantamento, esperamos ter dado uma bela clareada nas suas ideias. Agora é só apertar o interruptor e colocá-las em prática.

Confira algumas dicas dos moteleiros

“Temos quatro prédios, com vinte suítes cada. Deixamos abertos somente aqueles com suítes em uso. A parte elétrica fica desligada e, se houver movimento e necessidade, ligamos as luzes das áreas comuns, dos funcionários e das ruas, o que evita o desperdício. Concentrando tudo num setor, facilitamos até para os funcionários atenderem aos pedidos e economizamos energia.”
Felipe Moreto, gerente do Motel Red Sky, de São Paulo

“Procuramos trabalhar na lavanderia principalmente em horários alternativos, fora do pico, quando a energia é mais cara. Temos muito enxoval, assim não precisamos usar a lavanderia todos os dias. A dica principal é modernizar e tentar inovar. O cliente percebe e gosta muito.”
Thiago da Cunha Gonçalves, proprietário do Motel Kiss Me, de São Paulo

“Orientamos nossos funcionários para que se policiem em relação ao desperdício de energia, não somente pelo lado econômico, mas também pela questão ambiental. Uma ideia: elabore uma planilha com os últimos 6 meses de consumo e coloque uma meta com todas as ideias possíveis. Se atingida, parabenize os funcionários de uma forma que todos saibam o feito. Não é necessário dar bonificação ou dividir a economia, mas mostrar que, com a dedicação de todos, foi possível atingir o objetivo.”
Dejaci Biano, do Motel Impulse, de São Paulo

SERVIÇO

Adetec – Aquecedores de passagem – Tel.: (11) 2731-3799
www.adetec.ind.br

Astrosol – Aquecedores de água – Tel.: (11) 5621-9476
www.astrosol.com.br

Evapcooler – Condicionadores de ar evaporativos – Tel.: (31) 3287-0400
www.evapcooler.com.br

Fasterm – Bombas de calor – Tel.: (11) 4411-1488
www.fasterm.com.br

GST Informática – Automação de energia – Tel.: (11) 4612-2939
gstinfo@uol.com.br

Impercap – Saunas – Tel.: (11) 3683-8319
www.impercap.com.br

Light Tech – Bombas de calor – Tel.: (11) 5572-1554
www.lighttech.com.br

Microtecs – Automação de energia – Tel.: (27) 3361-0501
www.microtecs.com.br

W Energy – Consultoria sobre tarifas – Tel.: (11) 9638-5149
www.wenergy.com.br

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