Os motéis na linha do tempo

Há relatos de que os primeiros motéis no Brasil surgiram na década de 1960, ou seja, já somos um mercado com quase 60 anos de existência. Como mercado, somos maduros e experientes. Já provamos o valor e a necessidade de consumo que atendemos por meio de nossas empresas que estão abertas ao público há décadas.

Durante as décadas de 1980 e 1990, os motéis viveram seu auge. Éramos empresas inovadoras com grandes investimentos em tecnologia, e me refiro principalmente aos painéis de cabeceira de onde toda a suíte era controlada, iluminação com neon, a criação do teto solar, portão de garagem automatizado e camas giratórias, entre outras tecnologias pioneiras.

Nesses anos, se comparássemos um quarto de hotel com um motel de luxo, nosso produto era bem superior em termos de tecnologia. Isso o tornava surpreendente e oferecia uma experiência especial aos hóspedes. Alguns dos principais motéis das grandes cidades eram verdadeiros objetos de desejo e os consumidores faziam questão de mostrar que já tinham se hospedado lá, colando adesivos com a logo do motel em seus carros ou mesmo levando suvenires (na maioria das vezes, sem pagar!) como roupão e cinzeiros.

Nos anos 2000, de forma geral, o segmento ficou estagnado. Não tivemos muita inovação e o que vimos foi o envelhecimento dos motéis (na maioria dos casos, mas claro que há algumas exceções). Por outro lado, a internet se desenvolveu e formou um novo perfil de consumidor, mas não estávamos preparados para atender aos desejos desse novo consumidor e, consequentemente, os motéis foram perdendo mercado, reduzindo margem e lucratividade.

E agora? Será que, com quase 60 anos de idade, os motéis já estão na idade de se aposentar? Não tenho dúvidas de que temos ainda muitos e muitos anos pela frente, mas não oferecendo mais o mesmo produto e serviço que criamos nos anos 1980 e 1990. Precisamos ressignificar o conceito de motel, voltar a investir em tecnologia e voltar a ser inovador. Tudo isso para atrair esse novo perfil de consumidor e gerar nele o desejo de se hospedar em um motel. Precisamos focar na experiência do casal do relacionamento estável (casados(as) e namorados(as)) e, assim, continuar com a linha do tempo para o futuro.

 

Como diria Lulu Santos em sua clássica música, Como uma Onda: “Nada do que foi será / De novo do jeito que já foi um dia…”.

 

Felipe Martinez

Presidente da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis)

felipe@abmoteis.com.br

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