Um novo conceito de motel

Novo presidente da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) fala de seus planos para o setor e conta que uma de suas bandeiras será a profissionalização da gestão dos motéis

Por Madson de Moraes

O carioca Felipe Martinez, de 34 anos, tem o setor moteleiro correndo nas veias. Filho de um dos donos do antigo Motel Côncavo & Convexo, construído em São Paulo nos anos 1990 (época das camas redondas e luz neon no teto), ele largou o emprego que tinha na área de marketing de uma grande empresa para assumir a direção do motel com o objetivo de modernizar a administração e dar uma cara nova para o negócio familiar. Dessa renovação, nasceu, em 2013, o Lush Motel, em parceria com o sócio Leonardo Dib. O Lush virou referência de um novo conceito de motel e inovação para o segmento.

Com os anos de experiência acumulados em gestão e inovação no setor, Martinez assumiu neste ano – em cerimônia realizada durante a Equipotel 2018 – a presidência da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) para a gestão 2018-2021. Na entrevista a seguir, ele comenta que, entre seus planos à frente da entidade, estão a profissionalização da gestão dos motéis e a melhora da imagem do motel entre a opinião pública. “Acredito muito no segmento. Temos na mão um negócio com grande potencial pela frente, só que precisamos nos modernizar”, destaca Martinez, que, antes de assumir a presidência, participou da fundação da Associação há seis anos.

O setor moteleiro tem potencial para crescer?

Sim! Acredito muito no segmento. Temos na mão um negócio com grande potencial pela frente. Só que precisamos nos modernizar. O consumidor mudou muito e precisamos entender quem é esse novo consumidor. Precisamos rever algumas práticas que estamos acostumados a adotar no passado, como ações de marketing sensuais e comunicação apelativa, e olhar para quem é realmente esse consumidor do futuro e se adequar, se reinventar.

Quais os atuais desafios que o setor precisa enfrentar?

Hoje se perde mais hóspedes para o preconceito do que para a concorrência. As pessoas ainda acreditam muito nessa coisa de o motel ser só para sexo. Mas as pessoas não vão ao motel para fazer sexo. O principal motivo que faz elas saírem de casa não é só o sexo, mas uma experiência mais completa. É preciso pensar na gastronomia, no ambiente agradável, na decoração, na tecnologia das suítes, nas facilidades em fazer reservas. Toda essa experiência de compra mais completa precisa também estar no motel. Fazendo uma analogia, as pessoas não vão ao restaurante apenas para comer. Elas saem de casa para vivenciar no restaurante uma experiência que não é só a comida. Por isso, o motel não tem que ser apenas o sexo. O consumidor de hoje quer vivenciar experiências diferentes.

Quais serão suas bandeiras à frente da ABMotéis?

Ajudar na profissionalização da gestão para que os motéis se tornem mais profissionais em um primeiro momento é uma das iniciativas que pretendo levar adiante. Não que isso não tenha sido feito anteriormente, mas quero intensificar para entendermos melhor quem são nossos consumidores e adequarmos nossos produtos para esse perfil de hóspede. Uma ação nova que vamos começar a realizar são palestras da ABMotéis dentro das faculdades de hotelaria e turismo. A pessoa que se forma hoje num curso de hotelaria não cogita procurar emprego em um motel, mas só no hotel. Precisamos cortar esse preconceito na raiz e acreditamos que a faculdade pode ser não apenas um polo para irmos atrás de profissionais, mas até de potenciais hóspedes.

Por que é importante ao moteleiro se associar à entidade?

Temos mais de 1.200 associados de todo o País, e, pelo fato de todo o nosso trabalho ser 100% voluntário, a arrecadação é revertida integralmente para ações focadas em apoiar os empresários do ramo moteleiro e para o fortalecimento do próprio setor. A ABMotéis tem como objetivo reforçar uma representatividade política frente a órgãos públicos e sindicatos, defendendo os interesses da categoria e do setor sempre que necessário, além de buscar a profissionalização da gestão entre os donos e empresários de motel e apoiar a profissionalização do setor. Temos representantes em nosso quadro diretivo de 18 estados, mais Distrito Federal, que se dedicam ao avanço e melhoria do setor no Brasil. Temos uma base de dados com mais de dois mil motéis cadastrados.

É vantajoso estar associado?

Sim! O associado pode participar de todos os eventos realizados pela Associação e de todos os workshops, palestras e fóruns. Já realizamos 12 fóruns em 12 capitais. Esse é um trabalho que já vem de gestões passadas e minha intenção é intensificar. Promovemos também workshops e cursos tanto para o empresário do ramo quanto para funções como governança, camareira, cozinha e lavanderia, por exemplo. Já oferecemos, desde que a ABMotéis foi criada, mais de 450 treinamentos em todo o Brasil. Oferecemos ainda assessoria jurídica para os associados e temos alguns fornecedores parceiros com quem negociamos preços mais vantajosos para nossos associados. Temos hoje um acordo em todo o País com a Liquigás, por meio do qual conseguimos o melhor preço do mercado, além de parcerias diferenciadas e vantajosas com empresas de cartão de crédito e débito.

Sua diretoria mescla gente jovem e experiente do setor. Foi proposital?

Fizemos questão de convidar pessoas mais jovens justamente para promover esse mix de gerações, que é muito importante. Sem dúvida, a sabedoria e conhecimento dos moteleiros que estão aí é importante. Mas é também muito importante a visão dos empresários mais jovens para entender o perfil desse novo hóspede. Convidamos algumas pessoas que, como eu, representam essa nova geração de moteleiros. Estamos pegando uma safra nova e percebemos que esse é um movimento em todo o País de pessoas mais novas assumindo a gestão dos motéis da família. Acredito que, com essa geração mais jovem unida, vamos ressignificar o conceito de motel daqui para a frente e readequar nosso produto para a nova gera

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